Carta a uma ex-paixão

12 de setembro de 2011

                                                                  Algum lugar, através do Universo

De: Guilherme Givisiez

Para: Uma Ex-Paixão

Prezada ex-paixão,

Acho que estou partindo na hora certa. É hora de me arriscar, sair desse Planeta que se tornou cômodo demais para mim e ir amar a única pessoa capaz de me fazer feliz: eu mesmo. Eu me ceguei, não por amor, mas por necessidade. Mas agora abri meus olhos e meu coração e te tirei dele.

Bom, se para onde eu for, me lembrar de alguma coisa boa que vivemos, o que acho difícil, pois não vivemos quase nada, te mando um telegrama. Não sei para onde vou, gosto dos planetas frios, mas os bem iluminados também me atraem. Lembre-se, não espere mais nenhuma carta, nenhum telegrama, não espere nenhum sinal de vida, posso não chegar. Acho que estou me preocupando demais com você de novo… Então esqueça o telegrama. Para mim você foi tudo… Tudo o que qualquer pessoa pode ser. A diferença é que você dizia sentir o mesmo, sem sentir. Mas pra quê estou falando tanto sobre isso?

Essa não é uma carta de despedida, não que eu vá voltar, mas nunca nos unimos a ponto de merecermos cartas de despedidas. Quero te dizer que não restou nada de você, apenas as músicas que você me ensinou a gostar, que martelam a minha cabeça; e as manias que eu peguei com você e não consigo mais deixar. Ah sim, sobraram também as suas promessas. As minhas não, eu sempre fui disposto a realizá-las, você que nunca as quis receber. Mas as suas não, eu sempre as quis realizadas, mas você sempre se negou. E olha aí, elas estão pairando no ar, procurando a gravidade que eu deixei pra trás…

A viagem através do universo vai ser longa. Se houverem telegramas no Planeta que eu parar eu te mando essa carta junto a um. Se não houver, você nunca vai saber que eu deixei de te amar. Vai sempre se lembrar de mim como “o menino bobo de textos bonitos”. Eu só queria te dizer que eu não era só isso, fui muito mais, você é que não foi suficiente para receber o que eu poderia te dar. Na verdade foi você quem perdeu, eu estou indo para um Planeta me amar, você vai ficar aí, amando quem não te ama e enchendo o seu ego com pessoas descartáveis. Como eu fui bobo, (risos). Engraçado e trágico…

Se algum dia você for viajar através do universo, me procure. Podemos tomar um café, um suco, um chá, você escolhe. Podemos rir do que quase aconteceu e rirmos de mim mesmo: o “bobinho” dos textos bonitos. Vi que você fazia dos nossos encontros espetáculos, do meu coração picadeiro, fez seus shows e me deixou com a maquiagem de palhaço borrada e sem sorrisos. Mas isso não importa mais, eu não te amo. A tinta da minha caneta está acabando e por aqui não tem uma loja de canetas, mas se no meu novo Planeta tiverem telegramas e meios para enviá-los, eu mando essa carta e um telegrama. Apenas isso. Mas se não tiver, você pode continuar se lembrando de mim como o bobo dos textos bonitos. Eu não posso fazer nada. Foi isso que eu deixei parecer antes de sair.

Enfim, essa carta não é uma despedida nem um sinal de vida. Eu a escrevi para te dizer qu

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